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Fadiga Crônica

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+ 7 dicas poderosas

Vinte e três anos, praticante de meditação diariamente, bem sucedido financeiramente, bem formado academicamente, José (nome fictício para proteger a identidade) procurou a Hipnoterapia para tratar de “um cansaço que não é físico, nem mental…mas, é um cansaço.”.  Quanto mais ele dormia, mais cansado se sentia.

A isso chamamos, após a investigação terapêutica, de ‘Fadiga Crônica

Estudada desde o final dos anos de 1980, a Síndrome da Fadiga Crônica (SFC) é considerada como um distúrbio complexo, pois difícil de ser diagnosticada.

Rodeada de preconceitos, pois muitos – por falta de conhecimento – ainda utilizam o termo ‘preguiçoso(a)’ para quem sofre de SFC.

Contudo, a SFC é classificada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma doença neurológica.

Pesquisas datadas em meados de 2015 – publicadas na Pebmed –  no entanto, trabalham com a abordagem da SFC como uma doença fisiopatológica orgânica, entendendo que ela se encontra no estado de inflamação crônica. 

Esta condição é também conhecida como Encefalomielite Miálgica (EM) ou Doença Sistêmica de Intolerância ao Esforço (SEID) e seus sintomas são:

– Fadiga extrema, cansaço constante que não diminui nem com repouso fisico/sono

– Sensação de exaustão, de esgotamento, que piora com atividade física ou mental

– Cansaço constante sem nenhum esforço que possa ser utilizado como explicação

– Tonturas ao mudar de posição – de sentado para em pé; de deitado para sentado; etc.

– Esse tipo de fadiga também pode vir acompanhada de dores musculares ou nas articulações, sem sinais de inchaço ou vermelhidão, que indicariam inflamações

Embora alguns estudos defendam que a SFC ocorra por conta de nossa exposição a ambientes poluídos por magnetismo, reações químicas e bacteriológicas, nem sempre alguém com SFC está exatamente submetida a essas condições como forma de justificar esse quadro.

Além da fadiga/cansaço/exaustação, a cognição é afetada gerando problemas de memória, falta de energia física e mental, mal-estar, dor de garganta, sensibilidade extrema à luz e/ou sons. Estes sintomas podem ocorrer de modo isolado ou combinados, dependendo de cada pessoa.

O sono, por mais duradouro que seja, não consegue gerar repouso e esse estado pode também levar ao desenvolvimento do estresse e até da depressão, privando a pessoa da predisposição natural de trabalhar na realização de suas atividades mais corriqueiras e necessárias.

Infelizmente, a maioria dos profissionais da área de saúde – tanto física quanto mental –, por não conhecer ou não ter experiência com pessoas que sofram da SFC, costumam não acreditar nas reclamações de pacientes/clientes relegando os sintomas à imaginação do indivíduo, o que resulta na falta de diagnóstico adequado.

Desse modo, a fila dos que sofrem da SFC engrossa. E, em determinadas épocas, com intensas questões contemporâneas sócio-políticas-culturais, ainda mais.

Lamentavelmente,  ainda não há testes para a confirmação e diagnóstico da SFC, pois trata-se de questão investigativa. E por isso, ela é muitas vezes confundida com estresse, depressão, e outras nomenclaturas que definem estados emocionais/mentais característicos.

Desse modo, por continuar se sentindo fatigada, a pessoa gera e amplia exatamente essas questões, ramificando-se para condições pessoais que podem ser revertidas simplesmente cuidando desse desequilíbrio – que é mais comum do que se pensa.

Como saber se tenho Síndrome da Fadiga Crônica? 

Geralmente, as pessoas começam a perceber o cansaço persistente sem motivo aparente. 

Isto é, ela sabe que vem desenvolvendo suas atividades habituais e que nunca sentiu esse “cansaço estranho”. 

Muitas pessoas aguardam um tempo onde se observam por algo em torno de 2, 3 ou até  meses. E se a sensação da fadiga continua persistindo, buscam atendimento médico.

Um clínico geral indicará exames laboratoriais a fim de excluir possíveis problemas de ordem física, falta de vitamina ou comprometimento de tireoide, ou, ainda, a existência de diabetes, entre outras possíveis suspeitas…sim, a SFC não é facilmente diagnosticada. 

Em 2019, Ron Davis, professor de bioquímica e genética da Escola de Medicina da Universidade de Stanford, criou um exame de sangue que pode sinalizar a doença, que atualmente não possui um teste de diagnóstico padrão e confiável.

O teste, ainda está em fase piloto, é baseado em como as células imunológicas de uma pessoa respondem ao estresse. Com amostras de sangue de 40 pessoas – 20 com síndrome de fadiga crônica e 20 sem – o teste produziu resultados precisos, sinalizando com precisão todos os pacientes com síndrome de fadiga crônica e nenhum dos indivíduos saudáveis.

Um artigo descrevendo os resultados da pesquisa foi publicado on-line em 29 de abril/2019 na revista ‘Proceedings of the National Academy of Sciences’, tendo Davis  como autor sênior e Esfandyarpour, que faz parte do corpo docente da Universidade da Califórnia-Irvine, como autor principal.

Fonte:  Stanford Medicine

Enquanto os estudos são desenvolvidos e ainda contamos com a falta de diagnósticos precisos, a psicoterapia é o melhor tratamento indicado – principalmente para pessoas que escolhem realizar seus tratamentos de modo natural, sem uso de medicamentos químicos que virão como solução para essa síndrome –, após exames médicos/laboratoriais que excluam a possibilidade de outras causas conhecidas para a SFC.

E esse tratamento demanda da identificação da reclamação do cliente/paciente e do discernimento do terapeuta experiente no exercício da investigação das possíveis causas.

A psicoterapia séria, com profissional comprometido e atualizado, atua a partir do não-rótulo, tratando cada pessoa de modo individualizado e, assim, o conduz à compreensão das nuances individuais promovendo as mudanças de sentimentos, pensamentos e comportamentos.

A experiência de Emily

Como a Hipnoterapia me ajudou a me livrar da Síndrome da Fadiga Crônica para sempre
(Artigo de 04/Dez/2018)


Possivelmente, a coisa mais desencorajadora que acontece com muitos pacientes com SFC/EM é que eles são informados pelo médico que estão simplesmente deprimidos e devem consultar um terapeuta. Claro que estão deprimidos! Contorcer-se na cama com dores e fadiga semelhantes à gripe por semanas a fio, sem esperança de cura, é deprimente. Mas a depressão é um sintoma, não a causa. A eliminação de toda a doença que causa um caos físico muito real, incluindo perda de cabelo, incapacidade de moderar a temperatura corporal, dor nas articulações migratórias, fadiga muscular, confusão mental, fala arrastada e assim por diante, pois simplesmente um estado emocional é muito enfurecedor e enfraquecedor para os sofredores. É por isso que muitos não buscam a terapia como uma modalidade de cura.
[…]
Ficou claro para mim que, embora o sofrimento físico que eu estava experimentando fosse resultado de uma doença, a doença tinha raízes em padrões e hábitos emocionais e espirituais subconscientes doentios.
[…]
Comecei comecei a consultar-me com um hipnoterapeuta e praticante de hipnose de profundidade.[…] Foram necessárias várias sessões e muita diligência no meio, mas finalmente consegui fazer a transformação. Isso foi há três anos, e eu não tive nenhum surto de SFC/EM desde então, apesar de ter engravidado, de ter tido um parto difícil e de criar um bebê por um ano.
[…]
Minha esperança é que, ao compartilhar minha história, eu alcance outras pessoas que estão lutando com SFC/EM e doenças crônicas semelhantes, como doença de Lyme, fibromialgia e dor crônica. Mesmo aqueles que estão em tratamento de câncer ou que estão em remissão podem usar a hipnoterapia para ajudar a liberar o resíduo negativo que tal experiência pode deixar para trás.

 

Emily Pyne

Hipnoterapia no tratamento da SFC

A experiência de algumas pessoas é que, até que se busque atendimento terapêutico, a SFC vai embora e, num período médio de três a oito meses, ela volta. 

Quando a pessoa busca tratamento hipnoterápico, a investigação terapêutica se estrutura em perguntas sobre a existência de doenças já diagnosticadas através de consultas médicas e laboratoriais realizadas antes da busca pela terapia, a fim de justificar inicialmente a existência de questões físicas que possam explicar a fadiga.

O passo seguinte é investigar a natureza da rotina do paciente/cliente.

A partir daí a terapia – a parte falada da sessão – se desenvolve sugerindo estratégias criativas para mudar o comportamento e, em seguida, a aplicação da Hipnose, que atua positivamente para com a geração, identificação e fixação da sensação do descanso.

Paulatinamente às sessões, o acompanhamento terapêutico ocorre para averiguação do desenvolvimento desse novo estado de equilíbrio e de descanso.

É possível, para o tratamento pela Hipnoterapia, classificar a SFC como o acúmulo de rotinas emocionais de esgotamento, falta de atividades prazerosas e da percepção sobre a própria condição no sentido de apreciarmos a qualidade de nossa vida pessoal.

Esse comportamento individual diz respeito à natureza de cada um de nós, em termos de interpretação pessoal a respeito das situações nas quais estamos inseridos.  

O tratamento, portanto, passa pela psicoeducação, promoção de perspectivas/visões diferentes sobre o estado pessoal e, agora, o acúmulo da sensação de descanso. Por isso, a Hipnoterapia se mostra como tratamento eficaz.

O risco de não se diagnosticar terapeuticamente, a fim de realizar o trabalho proposto na terapia –  e não se tratar – é o aumento da intensidade da condição cobrando o custo desse desgaste energético a partir da perda da vitalidade, da espontaneidade e de doenças relacionadas ao estresse que levam à apatia generalizada.

Para quem já faz terapia, ainda que não especificamente para a SFC, basta conversar com o terapeuta trazendo o assunto à baila. E a partir daí o profissional trabalhará com estratégias, técnicas e acompanhamento seguro para que a pessoa volte para o bem-estar natural.

Além do tratamento terapêutico realizado a partir da interação com profissional qualificado, há algumas formas que, se realizadas consiste e suavemente, podem colaborar para com a diminuição desse estado. 

Acompanhe abaixo: 

– Habituar-se a realizar exercícios de respiração calma, tranquila, que envolvam a sensação de descanso – repeti-los ao menos três vezes por dia. A expiração é realizada com o dobro do tempo que foi usado para a inspiração. Isto é, se você inspira por 4 segundos, deve expirar por 8 segundos. Realize cada sessão por algo em torno de 2 minutos;

 

– Manter um comportamento seletivo no que tange a escolher prioridades.  É importante não nos desgastarmos com problemas e assuntos que não nos agregam;

– Rever posicionamentos pessoais de forma a perceber o que é nosso e o que é do outro. Essa reflexão segue a linha da anterior, pois muitas vezes a maioria de nós traz para si questões alheias com as quais nos envolvemos emocionalmente de modo que continuamos a exercitar sensações de limitações, pois não temos como exercer poder de escolha com o que não é nosso. Experienciar liberdade pessoal começa quando  trabalhamos a capacidade de aceitar e apreciar o direito do outro de fazer suas próprias escolhas;

– Desenvolver posturas comportamentais menos distorcidas entendendo que é possível realizar nossas atividades sem nos desgastar. Dessa reflexão faz parte entender que cada dia começa e se encerra em si mesmo;

– Diante de situações de conflitos emocionais, procurar soluções criativas que fujam do lugar-comum;

– Evitar comportamentos repetitivos de modo a flexibilizar a rotina pessoal. É importante percebermos que até não ter rotina pode ser uma rotina e que, por conta disso, podemos desacelerar, deixar a vida tomar conta de si mesma;

– Procurar exercitar o aspecto pessoal de dissociação, afastando-se mental e emocionalmente dos problemas a fim de orientar-se ao invés de misturar-se a eles.

Conceitos a serem considerados…

Mentalmente nos afastamos de nosso próprio centro, independente de nossa idade, e nos conduzimos para instâncias pessoais de marasmo, de falta de sentido, de percepção de situações que se repetem buscando novidades que dependem de nós mesmos e em relação às quais não atuamos ativamente, enfim…neste processo estão envolvidas questões físicas, mentais e emocionais. Estas devem ser observadas e trabalhadas num contexto integral. Eis o valor das práticas integrativas.

É necessário analisar o poder que temos de mudar a qualidade emocional de nossa vida e isso se dá aos poucos, de modo suave, consistente e confiante. Nossos estados emocionais podem servir a mostrarem-se como pontes para a percepção de que temos mais autonomia do que acreditamos ter. Estes são conceitos que, trabalhados terapeuticamente, nos rende mais consciência sobre nossa capacidade de descanso e alegria conosco mesmos. 

Créditos:
Luciene Lima,
Terapeuta Integrativa, Psicanalista, Hipnoterapeuta Clínica
Fotos: Pexels, Pixabay